Caso ÊMY] Deputada Erika Hilton envia ofício para o Reitor do IFCE pedindo esclarecimentos e anulação do processo disciplinar

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Ontem, 17/01, a Deputada Federal, Erika Hilton, enviou ofício endereçado ao Reitor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Wally Menezes.

No documento, a Parlamentar aponta que há diversos indícios de irregularidades e nulidades, no processo disciplinar que culminou na demissão da primeira professora trans do IFCE, Êmy Virgínia.

A deputada também lembrou no texto, que, como primeira Deputada Federal trans eleita na história do país,”conheço muito bem as injustas barreiras impostas para que corpos como o meu sejam incluídos e permaneçam em ambientes institucionais, dentre os quais a docência. Não há dúvida de que a transfobia tem sua face institucional e que apesar dos argumentos outros que se escolhem para fundamentar tais decisões, há muitas vezes a incapacidade de respeitar os direitos de pessoas trans.

E segue:

“Temo que possa ser esse o caso do IFCE diante das diversas irregularidades aqui retratadas, já que diante de uma docente com 20 anos de carreira, dos quais 7 anos na instituição em questão, sem nenhum outro registro de condutas irregulares, optou-se por abrir o Processo Administrativo Disciplinar contra a servidora por realizar o Doutorado sem nenhum prejuízo a seus alunos e aplicar a ela a maior sanção possível, o que a impede, inclusive, de seguir carreira em outras instituições de ensino público futuramente.”

Em sua conta no X (ex-Twitter), Erika Hilton, colocou o print do Ofício encaminhado.

Ao final do documento, a Deputada pede que a Reitoria:

  • reavalie a decisão do PAD que culminou na demissão;
  • seja realizada Auditoria Interna independente para investigar a regularidade do PAD;
  • e que a Reitoria esclareça qual apoio e orientações, notificações por escrito prestou a docente para a preparação para o doutorado, bem quais medidas de apoio e permanência presta às pessoas trans da instituição.

Acesse aqui o Ofício na íntegra.

Caso ÊMY VIRGÍNIA

O caso tem ganhado grande repercussão e gerado revolta entre alunos, professores, movimentos LGBTQIAP+, movimentos sociais e em políticos de todo país.

Um ato está marcado para acontecer amanhã, 19/01, sexta-feira, a partir das 15 horas, na Praça da Gentilândia. A manifestação é organizada por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), Andes-Sindicato Nacional, Sindicato de Docentes da UECE, DCE da UFC e DCE do IFCE.

Tem, ainda, o apoio da Deputada Federal, Luizianne Lins, da Mandata de Vereadoras, Nossa Cara, do Deputado Estadual, Renato Roseno e do Deputado Estadual, Missias do MST, dentre outros.

Para entender o caso, leia nota elaborada pelo Sindicato dos Servidores do IFCE.

TRADUÇÃO EM LIBRAS: