Nota de repúdio

Enquanto servidores e servidoras do Instituto Federal do Ceará, sob ameaça de corte de salários por parte da Gestão da Instituição, resistem numa greve em defesa da Educação Pública, tão atacada no Governo Bolsonaro, bem como por recomposição salarial, visto que estamos há mais de cinco anos sem reajuste salarial, a Gestão do IFCE recebe com honrarias o Ministro da Educação e sua comitiva no IFCE campus Iguatu, para assinatura de ‘protocolo de intenções’ de implantação de um curso de medicina naquele Campus.

Um curso de medicina é desejo de muitos, especialmente no interior do Estado, mas é preciso responsabilidade e honestidade com esta discussão.

Os Institutos Federais, criados pela Lei 11.892/2008, são instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino.

Portanto, assinar um ‘protocolo de intenções’ de implantação de um curso de medicina no IFCE é semelhante à oferta de terreno na lua. Em ano eleitoral, isso soa como palanque eleitoreiro.

É lamentável que a gestão da nossa instituição se preste a este papel! Temos problemas institucionais urgentes pra serem discutidos e enfrentados, principalmente agora, após dois anos de uma pandemia que nos impôs o ensino e trabalho remotos, com consequências no processo de ensino e aprendizagem e na saúde mental de estudantes e servidores – apenas para citar duas- além dos bloqueios orçamentários que ameaçam o funcionamento dos campi que há tempos vêm subsistindo com dificuldade.

Mais lamentável ainda foi a forma como os estudantes foram tratados hoje, 23/06/2022, no Campus Iguatu, sendo impedidos de adentrar o recinto onde a solenidade ocorria e de manifestarem seus protestos diante dos ataques deste governo à Educação Pública.

Sem estudante não há razão de ter servidor, de ter IFCE. A instituição existe por eles e para eles e merecem ser tratados com todo zelo e respeito.

Os valores do IFCE, aprovados em Resolução e que enfeitam as paredes nos campi, precisam se materializar no cotidiano das ações institucionais.

E a Reitoria, que tanto se diz rigorosa com a legalidade e a eficiência, precisa fazer valer todos os princípios da administração pública, como a impessoalidade e a moralidade administrativa.