Mercantilização da Educação foi tema de atividade do comando unificado de greve; agenda do dia também teve marcha em defesa da educação e em solidariedade ao povo palestino

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FOTO: ASCOM SINDSIFCE

Realizada na última terça-feira, 21, na Tenda da Educação, montada no jardim da Reitoria da UFC, a mesa redonda “Mercantilização da Educação” foi uma atividade de greve promovida pelo comando unificado de greve dos servidores do SINTUFCE, ADUFC e SINDSIFCE. O debate contou com a participação das professoras Kelly Menezes (FACED/UFC), Maria de Lourdes da Silva (IFCE/MST) e do técnico em Assuntos Educacionais da Escola Integrada de Desenvolvimento e Inovação Acadêmica (EIDEIA), Hemison Magalhães.

Hemison Magalhães apresentou um panorama do Novo Ensino Médio, iniciando pela Primavera Secundarista, que consistiu em um movimento estudantil de ocupação de escolas do ensino médio e de universidades no ano de 2016, como forma de protestar contra a reforma do Ensino Médio e a tramitação da PEC 55/2016 (Teto dos Gastos Públicos).

Ele destacou que os estudantes reconheceram a invisibilidade dos profissionais terceirizados, merendeiras, faxineiras e vigilantes, quando precisaram se organizar para preparar as próprias refeições, limpar os ambientes onde estavam acomodados e proteger o patrimônio público contra o vandalismo. O TAE também apresentou as principais mudanças trazidas com a proposta do Ensino Médio como ampliação da carga horária de 2.400 para 3.000 horas; aprovação da Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio e a ampliação das matrículas em tempo integral. Hemison elencou as principais disciplinas do currículo do Novo Ensino Médio, bem como os cinco itinerários formativos previstos na proposta: Ciências da Natureza e suas tecnologias; Linguagens e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; Matemática e suas tecnologias e Formação Técnica e Profissional.

Hemison apresentou, ainda, os desafios da implementação da educação em tempo integral como a estrutura precária das escolas regulares que se tornam escola de tempo integral de forma improvisada e a formação em serviço que os professores da educação básica precisam se submeter durante sua jornada de trabalho semanal. Para tanto, as fundações sem fins lucrativos, mas que são patrocinadas por grandes grupos empresariais, “colaboram” com as secretarias de educação elaborando o material didático dos alunos, o manual dos professores e promovendo as formações em serviço. Por fim, Hemison Magalhães destacou que essas fundações atuam como think tanks, que significa “atores que influenciam a tomada de decisão do governo na elaboração de políticas públicas e a alocação do orçamento público destinado à educação”.

Kelly Menezes abordou a influência do mercado cada vez mais presente na pesquisa e no ensino superior, enfatizando a reificação da educação em pacotes vendáveis de itinerários formativos e a lógica produtivista da CAPES, que compartimentaliza as áreas do conhecimento e exige alta produção de artigos científicos de pesquisadores e docentes.

Ademais, a professora Kelly destacou o empobrecimento dos conteúdos didáticos no Novo Ensino Médio. Segundo a docente, se antes havia uma crítica à escola conteudista, agora passa a ser um privilégio ter uma escola que difunda o que de melhor foi construído pela humanidade em termos de ciência, cultura, tecnologia e artes.

FOTO: ASCOM SINDSIFCE

Professora do IFCE e também ativista do MST, Lourdes da Silva apresentou os resultados da sua tese de doutorado intitulada: “Intervenção do capital na escola pública: Disputa de Hegemonia na Educação, Escola e Sujeitos do Campo em Territórios Cearense”. A educadora destacou a presença do programa Agrinho, como uma ferramenta de promoção do Agronegócio nas escolas do campo do estado do Ceará, a transposição didática de um programa desenhado para a realidade do Paraná que chega ao Ceará de “forma aligeirada”, exigindo dos professores uma formação baseada em workshops e oficinas que duram um dia.

Lourdes destacou, ainda, a atuação na Educação Básica das organizações sem fins lucrativos, patrocinadas por conglomerados empresariais como o Instituto Unibanco e a Fundação Leeman. Além disso, ela alertou que essas fundações têm assumido a gestão dos sistemas municipais e estaduais de educação, seguindo o modelo norte-americano das charter schools.

Marcha em defesa da educação e em solidariedade ao povo palestino

FOTO: ADUFC

Ao final do debate, no período da tarde, docentes e técnicos acompanharam, em tempo real, a mesa de negociação, que aconteceu com representantes do Ministério da Gestão e Inovação (MGI) e do Ministério da Educação (MEC) e, em seguida, os manifestantes realizaram uma marcha em defesa da educação pública e em solidariedade ao povo palestino, para barrar o genocídio que vem sendo realizado pelo Estado de Israel há meses.

A marcha partiu da reitoria da UFC, onde o Comando Unificado acabara de se reunir, e percorreu a Avenida da Universidade até a Faculdade de Direito. O Caldeirão, grupo de percussão da ADUFC, levou todo o seu batuque para a manifestação.

Confira algumas imagens: