NOTA | O que está em jogo nas eleições deste ano?

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Nas eleições de outubro de 2026 iremos renovar ⅔ do senado federal, escolher governadoras(es) estaduais, as(os) componentes das assembleias legislativas estaduais e câmara dos deputados e definir quem estará na presidência da república. Para além da disputa entre partidos, federações e suas candidaturas, estará em jogo o tipo de projeto que a sociedade e o Estado brasileiro seguirão no próximo período.

Por um lado, um projeto ultraconservador centrado no desmantelamento das estruturas do estado (saúde, educação, direitos trabalhistas, meio ambiente, direitos das minorias, etc), no fim das proteções sociais, do aniquilamento dos serviços públicos, no sufocamento da democracia, no fim da soberania nacional e na entrega de nossas riquezas naturais às grandes corporações econômicas capitaneadas pelo império trumpista e seus asseclas. Esse tipo de projeto e seus horrores controla hoje a quase totalidade dos estados latino-americanos e tem levado, como consequência, ao caos socioeconômico, a exemplo da Argentina.

Em nosso país, lamentavelmente, já provamos o gosto amargo desse tipo de proposta política, que tem entre seus elementos o negacionismo científico, que vitimou mais de 700 mil pessoas durante a pandemia, que estrangulou a educação pública e que retirou direitos sociais e trabalhistas arduamente conquistados.

Além disso, considerando o período dos governos Temer e Bolsonaro, observa-se que os servidores públicos federais não foram contemplados com uma política consistente de valorização salarial. Ao contrário, esse período foi marcado por medidas e discursos que atingiram negativamente o serviço público e seus servidores.

A inflação acumulada entre 2016 e 2022 foi de 44,05%. Nesse mesmo período, os Técnicos-Administrativos em Educação (TAEs) tiveram apenas dois reajustes salariais: 5% em 2016 e 5% em 2017, ambos decorrentes de negociações e acordos firmados ainda durante o governo Dilma Rousseff.

No caso dos docentes, os reajustes acumulados foram de 20,68%, distribuídos da seguinte forma: 5% em 2016, 5% em 2017, 4,75% em 2018 e 4,5% em 2019. Assim como ocorreu com os TAEs, esses reajustes foram resultado de acordos estabelecidos ainda no governo Dilma Rousseff.

Quando se compara a evolução dos salários com a inflação acumulada no período, evidencia-se uma significativa perda do poder de compra. Para os TAEs, a diferença entre a inflação acumulada (44,05%) e os reajustes concedidos resulta em uma perda salarial acumulada de aproximadamente 30,66%. Entre os docentes, considerando os reajustes acumulados de 20,68%, a perda salarial corresponde a aproximadamente 19,36%.

Os dados evidenciam, portanto, que, durante esse período, os reajustes concedidos aos servidores não foram suficientes para recompor integralmente os efeitos da inflação, produzindo uma redução real do poder de compra dos servidores.

Por outro lado, temos um projeto político com um viés social e democrático que, apesar das limitações impostas pelo arcabouço fiscal e pelo congresso antipovo, prima pela elaboração e implementação de políticas públicas de recomposição da economia, da dignidade e do poder aquisitivo de amplos setores da sociedade. Um projeto que tem buscado firmemente preservar a soberania nacional frente aos constantes ataques feitos pelo trumpismo, quer seja as perseguições a membros do poder judiciário, as investidas contra o PIX e as manifestas ambições pelo controle de nossas chamadas terras raras, para ficarmos apenas em alguns exemplos.

Que futuro queremos para nossos filhos e filhas? Que sociedade queremos para nosso povo?

A democracia e a soberania nacional sob ameaça

A frase “essa é a eleição das nossas vidas” nunca fez tanto sentido para o povo brasileiro. Não podemos esquecer o 8 de janeiro de 2023 e como estaria nossas vidas se o golpe houvesse se consolidado. Alguns culpados foram presos, porém os mentores e financiadores dessa tentativa de golpe, não. O presidente Lula não conseguiu, ao longo do seu terceiro mandato, “unir” a nação. O antipetismo está espalhado por todo país e ficou visível nas eleições municipais dois anos atrás, evidenciando-se novamente neste ano.

Com isso, temos uma declarada tentativa de intervenção norte-americana nas nossas eleições. Escancaradamente, a família Bolsonaro segue suas tratativas junto ao governo Trump, causando impacto direto nas relações diplomáticas/comerciais/políticas entre os dois países. O escancaramento do entreguismo da extrema direita ameaça diretamente o Brasil enquanto nação soberana e a mensagem da classe trabalhadora deve ser clara: eleger Lula como imperativo para manutenção da soberania nacional.

O SINDSIFCE, alinhado aos valores de defesa dos trabalhadores e da educação pública, em consonância com o SINASEFE, conforme decisão em Assembleia Geral e na 212ª Plena, defende o apoio à candidatura e reeleição do Presidente Lula, bem como outras candidaturas de esquerda no Ceará. Entendemos que, diante da atual conjuntura política, a continuidade do atual governo a única possibilidade de garantir a manutenção de um Brasil democrático e soberano.