Nota | Criação do IFCearense não pode ser feita sem diálogo

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O SINDSIFCE vem a público demonstrar sua preocupação com a criação do IFCearense, anunciada na última terça-feira (31). Em evento realizado em São Paulo, o presidente Lula assinou uma mensagem que encaminha ao Congresso Nacional um projeto que altera a Lei 11.892/2008, que instituiu a Rede de Institutos Federais. A proposta é de que sejam criados seis novos IFs, incluindo o IFCearense, que dividirá os 33 campi já existentes.

A ideia de divisão do Instituto Federal do Ceará, a exemplo do que foi feito recentemente na Paraíba, não é inédita. Durante o governo Bolsonaro, a proposta foi lançada à comunidade do IFCE com uma consulta, sendo rejeitada por uma ampla maioria.

Neste momento, enquanto o projeto segue para o congresso, é importante destacar que não houve, em nenhum momento, qualquer tipo de diálogo ou consulta com a comunidade dos institutos sobre a nova medida e suas consequências para professores, técnicos e estudantes.

Com a criação de um novo instituto federal no estado, muitas perguntas estão surgindo e pedem respostas urgentes: a mudança prejudicará a carreira dos servidores? Como serão realizadas as remoções? Como se dará a escolha da nova reitoria? Com qual orçamento essa mudança será feita? O questionamento mais importante, no entanto, é: por que essas decisões estão sendo tomadas sem a participação de professores, técnicos, estudantes e movimento sindical?

O sindicato demanda com urgência que o governo abra espaço para o diálogo e para a participação efetiva do movimento sindical e da comunidade acadêmica em relação a essa proposta. Não se trata, neste momento, de uma posição contrária ou a favor da criação do IFCearense, mas da necessidade de uma escuta democrática no andamento desse processo. Entendemos que é apenas através da transparência, do diálogo, da justiça e da democracia que conseguiremos construir algo que seja benéfico para servidores e estudantes.