8M 2024: combater o projeto violento e bárbaro de poder capitalista, imperialista, racista, patriarcal, misógino e machista

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Chegamos a mais um mês de março e a necessidade de reafirmar nosso compromisso com a luta pela emancipação das mulheres, tanto no Brasil como no mundo, se torna imperiosa.

No mundo, a crise estrutural do capitalismo apresenta desdobramentos que atentam contra a existência das mulheres, principalmente das mulheres negras de países periféricos. Estamos num aprofundamento do ultraliberalismo, com sua força predatória, que precariza a vida da classe trabalhadora em busca da ampliação do consumo e taxas de lucro para a classe dominante. As vidas, vulnerabilizadas pelo próprio sistema, são desconsideradas, territórios são destruídos e o mundo enfrenta uma realidade insustentável. A saída da crise é a morte e a morte se abate nos corpos historicamente desumanizados.

É preciso lembrar que numa caracterização da classe trabalhadora, em que todos sofrem com a exploração e desumanização, são as mulheres as mais pobres, ocupam os trabalhos mais precarizados, e enfrentam as mais diversas violências. Conforme matéria do portal Brasil de Fato (de 2022), após a pandemia, na América Latina: “o cenário aponta para uma piora significativa da condição de vida de mulheres e grupos historicamente vulnerabilizados, atravessados pelas problemáticas transversais de classe, gênero e raça. No caso das mulheres e diversidades sexuais, os dados revelam retrocessos de mais de uma década em termos de acesso ao trabalho remunerado, à sobrecarga na divisão sexual do trabalho e nos casos de violência”.

Nesse sentido,  é necessário somar à todas essas violências, aquelas sofridas em territórios ocupados, invadidos por países imperialistas, colonialistas e de caráter neofascista. Portanto, é impossível fechar nossos olhos para o genocídio na faixa de Gaza contra o povo palestino, que ceifa as vidas de mulheres e crianças. Deve-se compreender que quando se trata de limpeza étnica, eliminar essas vidas torna-se um projeto.

A luta das mulheres transborda fronteiras, e a solidariedade entre nós está ao alcance das lutas históricas de enfrentamento ao genocídio vergonhoso promovido por Israel, com a sustentação política e bélica dos países da Europa e dos EUA, contra o povo Palestino. Portanto, a proclamação das mulheres no mundo contra este genocídio é parte da luta coletiva das mulheres em solidariedade à preservação de vidas, sobretudo, das mulheres palestinas que estão, neste exato momento, expostas à toda forma de violência e de tortura. Não podemos deixar nenhuma mulher para trás, nossa luta é internacionalista e anti-imperialista!

No Brasil, nunca foi fácil ser mulher, ele mesmo um país periférico com maioria da população negra, tem apresentado índices estarrecedores em relação a vida das mulheres. Conforme matéria divulgada pela Mídia Ninja, em pesquisa recém publicada: “Estima-se que cerca de 25.458.500 de mulheres declararam, no ano de 2023, terem sofrido algum tipo de violência doméstica e familiar, somando 30%. 61% das mulheres não procuraram uma delegacia. Os dados aparecem na 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, Instituto Avon e Gênero e Número”.

Importante pontuar que o avanço da extrema direita neoliberal e neofascista, que tem o fundamentalismo religioso como sua principal bandeira e ameaça direitos sociais e humanos conquistados, faz com que o país cada vez mais caminhe rumo à barbárie. Diante deste cenário caótico e perverso, a liberdade das mulheres, da comunidade LGBTQIA+, da população negra e dos povos originários é elevada a um patamar de insignificância absoluta, uma vez que à essas(es) são negadas quaisquer possibilidades de representatividade nas definições das políticas públicas, deixando-as(os) na invisibilidade do projeto desenhado e defendido vorazmente pela extrema direita brasileira.

Para nós, o que está em jogo nesse março de 2024 mais uma vez é nossa existência. O sindicato tem o compromisso político de dizer “não” a este projeto violento e bárbaro de poder capitalista, imperialista, racista, patriarcal, misógino e machista seja no Brasil, seja no mundo. Atualmente somos milhares de sindicalizadas, muitas estão na direção das seções, outras na política de enfrentamento diário no trabalho, se redobrando para garantir a sua participação na luta sindical, muitas vezes sem a liberação do trabalho. O SINASEFE acertou quando garantiu a criação da Coordenação de Política para Mulheres, como também as pastas LGBTQIA+ e de Combate às Opressões, garantindo, com isso, a partir da própria organização da gestão sindical, a ampliação da participação desses grupos invisibilizados e excluídos. Foi um importante contraponto da grande realidade que inviabiliza a participação das mulheres, principalmente nos espaços de atuação política.

Seguindo na luta, em 2024 o SINASEFE tem como tarefa agigantar ainda mais as suas ações em defesa de todas as mulheres trabalhadoras, honrando àquelas que construíram e constroem nosso sindicato (inclusive com o futuro lançamento da revista “Mulheres que constroem o SINASEFE”).

Para isso, precisamos nos colocar incondicionalmente na luta feminista, anticapitalista, anti-imperialista, antirracista, anti-lgbtfóbica, anticapacistista e em defesa incondicional do POVO PALESTINO!

Mais um março de luta e de mãos dadas!

Basta de Feminicídio!

Pelo fim do genocídio em Gaza e pela solidariedade à Palestina!

Em defesa do fortalecimento da solidariedade e do internacionalismo entre as mulheres da classe trabalhadora!

Sem anistia para Bolsonaro e os golpistas

Em defesa da Educação, da recomposição salarial e da reestruturação das carreiras!

Pela liberdade e ampliação da participação política das mulheres!

Viva a Luta das Mulheres Trabalhadoras!

Coordenação de Políticas para Mulheres do SINASEFE

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Com informações da ASCOM SINASEFE.

TRADUÇÃO EM LIBRAS: