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Notícias

  06/05/2020 

SINDSIFCE alerta servidores para perigos e limitações de possível ensino remoto no IFCE

A pressão por "ensino remoto"/ensino a distância, que de acordo com os mais recentes comunicados da Reitoria está previsto para ser implementado no IFCE, traz riscos, limitações e disparidades aos servidores e aos estudantes. Uma situação que precisa de melhor debate, e não ser apenas comunicada aos docentes, técnico-administrativos e discentes, já como uma decisão tomada unilateralmente pela administração. O alerta é do Sindicato dos Servidores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (SINDSIFCE).

Desde o início do período de isolamento social em virtude da pandemia de coronavírus, em 16 de março, no Ceará, o SINDSIFCE vem chamando atenção da comunidade acadêmica e da sociedade como um todo para a necessidade de proteção aos servidores, estudantes e à população dos diversos municípios que contam com campi do IFCE.

Foi necessária muita luta para garantir o direito ao trabalho à distância, além de atenta fiscalização sobre as condições e exigências feitas pela Reitoria aos servidores e servidoras. Exigências que seguem acontecendo, como a apresentação de diversos relatórios pelos servidores, mesmo em um momento de pandemia, de incerteza e dificuldades sociais, de ampliação da carga de trabalho doméstico (com impacto ainda maior sobre as servidoras), tornando ainda mais desafiador o cotidiano dos trabalhadores do Instituto.

Participando em todos os momentos dos canais possíveis de diálogo e debate com a administração do IFCE, como Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus, no âmbito da instituição, o SINDSIFCE vem alertando reiteradas vezes para a necessidade de mais respeito e confiança da administração quanto aos trabalhadores e trabalhadoras do Instituto. Também quanto à necessidade de compreensão quanto ao momento extremamente atípico, sem precedentes, que todos vivenciamos, o que causa graves efeitos no cotidiano dos servidores.

Agora, caminhando para dois meses desde o início do isolamento social, prorrogado pelo menos até 20 de maio e com medidas mais rígidas para Fortaleza e Região Metropolitana, a comunidade acadêmica está receosa quanto à imposição do ensino a distância. Mais uma vez, o tom dos informes da Reitoria, nas reuniões do comitê, é de uma suposta "volta à normalidade", quando todos sabemos que não há prazo nem garantia de que voltaremos ao estado de coisas anterior - talvez não propriamente chamado "normal".

Ainda será necessário um longo tempo até a retomada de atividades presenciais, que também terá de ser feita de modo gradual e com detalhados protocolos para os devidos cuidados.

Estudantes teriam dificuldades

Infelizmente, a falta de estrutura de grande parte dos estudantes do IFCE, muitos deles, antes da pandemia, já dependentes das ações de assistência estudantil para poderem se deslocar, se alimentar e garantir sua própria permanência no Instituto, dificultam muito a implementação de ensino a distância. 

Insistir nessa direção pode gerar um abismo de desigualdade entre os estudantes, contemplando os que contam com melhor infraestrutura em casa e segregando aqueles que não dispõem de acesso à Internet com qualidade, computador, espaço próprio para estudo, entre outras condições.

Mesmo a distribuição de chips a serem usados em telefones celulares, para acesso à Internet pelos estudantes, estaria muito aquém da complexidade da situação social de cada um. Temos, de fato, ao menos nós, servidores, computadores e celulares com suporte necessário para prestar essas atividades de ensino?

Outra questão importante a considerar é a falta de formação e de experiência da grande maioria do quadro docente com aulas à distância. Uma realidade que pode causar efeitos negativos tanto para professores quanto para docentes, comprometendo a qualidade de ensino, prejudicando os estudantes. Não é questão que se resolve somente com um curso rápido sobre como usar ferramentas de comunicação online. Não se vislumbra uma mudança dessa dimensão, imposta da noite para o dia. Não se pode ignorar o compromisso com o processo educacional, em sua complexidade e em suas especificidades.

Atividades escolares por Whatsapp!?

Para se ter ideia da gravidade da situação, em live via página oficial de um dos campi do IFCE, o diretor da unidade afirmou que um novo decreto flexibilizaria o calendário escolar, de acordo com reunião do Colégio de Diretores (Coldir) realizada na semana passada. O campus estaria buscando "estratégia eficiente" para " gradativamente voltar às atividades" e para "atingir todos, para que ninguém seja prejudicado”. Segundo o diretor, haveria o "retorno das atividades escolares" não só por EAD/"ensino remoto", mas também por Facebook ou até pelo Whatsapp!

Cabem muitos questionamentos a esse quadro! Aspectos como a legitimidade jurídica do diretor do campus para tomar tal medida; a falta de diálogo com a comunidade acadêmica (ponto sempre destacado pelo SINDSFICE); a quebra do direito dos alunos de cursar todas as disciplinas, prejudicando os que não tiverem condições para o ensino a distância; a afirmação, do diretor do campus, de que não haveria reprovações, devido ao momento extraordinário; a falta de capacitação dos servidores para prestar educação à distância; a falta de um plano de contingência para o caso de aumento da contaminação de servidores pelo coronavírus e como ficariam os estudantes cujo professor adoecesse e não pudesse mais ministrar aulas.

Volta às aulas por ensino remoto: faz sentido?

Há ainda que se ponderar a pertinência estratégica de retomar aulas, por ensino remoto, em um momento de profunda convulsão social, em que o Ceará é o terceiro estado brasileiro mais cruelmente atingido pela nova doença e por suas várias consequências. Em que contexto, que ambiente pedagógico se promoverão aulas, enquanto os números de infectados, doentes e de pessoas que vão a óbito multiplicam-se a cada dia? Enquanto os servidores e servidoras se veem obrigados, cada dia mais, pelo avançar da crise, a auxiliar parentes, amigos, colegas, conhecidos em tarefas emergenciais, ligadas a remédios, exames médicos, providências de saúde, além de cuidar das tarefas cotidianas ligadas à manutenção dos filhos, dos pais e avós, entre outros parentes?

Não seria mais importante, neste momento extremo, manter o foco no combate à crise sanitária e social? Em ações educativas de prevenção e combate à doença? Em ações de apoio à sociedade, mostrando o papel do IFCE em diversas frentes (auxílio a conserto de respiradores mecânicos, divulgação de como produzir máscaras e telas artesanais, campanhas de proteção social emergencial etc)?

O SINDSIFCE defende a manutenção da suspensão do calendário acadêmico, pelo menos até 31 de maio, podendo vir a seguir até a devida superação da pandemia, com segurança para todos e com a posterior reposição presencial de aulas, como a solução mais eficaz, mais justa com o processo pedagógico, mais verdadeira com o papel de professores, técnicos e estudantes.

O Sindicato solicita que qualquer modificação quanto ao calendário acadêmico seja discutida a priori e de forma ampla com os docentes. É preciso que a Reitoria passe a dialogar efetivamente com a comunidade acadêmica, não apenas a pressionar pela adoção de medidas pré-definidas pela própria administração do Instituto, e sim dando espaço para que cada campus possa debater seu retorno, em segurança.

O SINDSIFCE alerta a comunidade acadêmica para os perigos da imposição de "ensino remoto", apelando à Reitoria pela paralisação desse processo e por um debate mais amplo e efetivo com servidores e estudantes.

 

Fortaleza, 6 de maio de 2020

Na luta, conte com o SINDSIFCE

Última atualização: 06/05/2020 às 22:36:43
 
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