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Notícias

  27/03/2020 

Professor do IFCE questiona dificuldades impostas pela Reitoria para o trabalho em casa

 
Confira texto do professor George Frederick Tavares da Silva, do Campus Canindé, do IFCE, com severo alerta e fortes questionamentos às dificuldades impostas aos servidores do Instituto, para o trabalho em casa/distanciamento social
 
“Prezad@s,
 
O mundo inteiro está tomando providências para combate ao avanço do número de infectados e de mortes pela COVID-19. A única saída para minimizar o número de mortes que cresce diariamente no Brasil e no mundo é o isolamento social.
 
Estamos ainda no meio da pandemia e há previsões, cientificamente comprovadas, de que teremos colapso no sistema de saúde brasileiro assim como já existe em alguns países. As consequências no campo da economia são também desastrosas, mas diversos chefes de Estado estão injetando recursos da ordem de bilhões ou trilhões. É uma realidade que vivemos e há uma realidade ainda pior prevista para a humanidade. Todas essas informações não são opiniões e dispensa referências.
 
Contudo, mesmo com todo esse contexto real, há quem negue a realidade, ou quem consegue ser desumano ao ponto de minimizar o número de mortes, ou por ser um percentual pequeno dos mais de 7 bilhões de habitantes no mundo, ou por atingir mais fortemente "pequenos" grupos de risco como os nossos idosos. Há ainda quem não compreendeu o que significa o isolamento social e sua importância para conter o avanço do Coronavírus para minimizar o colapso dos sistemas de saúde do Brasil e do mundo.
 
Os negacionistas, ou os incrédulos, ou os que não possuem visão de mundo suficiente para entender a realidade, vão se arrepender e quando acontecer será tarde demais. Já estaremos tristes com diversas mortes e com as mortes certas que ainda continuarão a ocorrer, e já não vai importar mais, para alguns que já perderam familiares, o que estamos apelando hoje, para o isolamento social.
 
Ninguém vai morrer de fome pelo isolamento social se o Estado agir, o Estado tem um orçamento capaz de segurar a crise econômica, nós somos um povo solidário, apesar da ignorância de muitos frente aos avisos e previsões da ciência, constatada já em diversos países.
 
Há ainda uma classe de pessoas, negacionistas ou não, que não suporta que trabalhadores e trabalhadoras fiquem em casa, cuidando e se relacionando com seus filhos, com seus cônjuges, realizando as tarefas domésticas. Querem, neste contexto, que fiquemos trabalhando em casa para economia não parar. Nossa casa, um ambiente completamente diferente do ambiente de trabalho. Há quem consiga adaptar esse ambiente, mas a verdade é que é, na imensa maioria, forçando a barra, fazendo 10 a 20% do que seria feito no ambiente de trabalho, sendo bem otimista. Mas mesmo assim insistem, mas não por que querem salvar a economia ou vidas, mas a verdade é que não suportam nos ver em casa.
 
Esse parece ser o caso dos gestores do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia - IFCE. Com todo o respeito ao trabalho dos gestores, ao que me parece, a mentalidade dos gestores do IFCE é exatamente essa: não suportam ver os servidores em casa, mesmo que seja por uma causa nobre, muito nobre, a de ficar em casa para salvar a vida de centenas com o isolamento social. Se eu estiver errado, façam um contraponto ao que vou explicitar agora acerca do que os gestores cobram dos seus servidores.
 
1 - Em mais de 30 campi espalhados pelo Estado do Ceará, a maioria no interior, com realidades diversas, a maioria com estudantes do campo, sem acesso à internet, por vezes sem dispositivo eletrônico, foi proposto, no meio do evidente, necessário e imprescindível isolamento social para salvar vidas, que os docentes dessem aula a distância, enviassem material didático por meio de um sistema acadêmico que não suportou a demanda, ou por outros mecanismos online para que as aulas continuassem. Que os professores, em sua maioria, professores que nunca tiveram contato com EAD, passassem, de um dia para o outro, a se comportarem como tutores a distância, tutores estes que passam por um grande treinamento para dominar os meios digitais e proporcionar uma boa educação. Uma demonstração por parte de nossos gestores que não há preocupação com a qualidade na educação, mas sim com a falta de capacidade de suportar o isolamento social por parte dos docentes. Mesmo sabendo, eu espero, que todas as aulas vão ser repostas, que já sabemos trabalhar com vários calendários acadêmicos e que nenhuma aula a menos será dada e que tudo será recuperado após a crise.
 
Os gestores recuaram desta ideia, e quero acreditar que foi por sensatez e não por pressão de quem compreende o papel dos docentes e os objetivos do IFCE para uma educação de qualidade.
 
2 - Recuaram nas aulas a distância, mas querem agora que justifiquemos nossas ausências. Querem que cada servidor justifique as razões para não estar presente no campus que não existe atividade acadêmica. É inadmissível que nossos gestores não compreendam as razões pelas quais todos os servidores não estejam no seu ambiente de trabalho e que não saibam justificar ao MEC e/ou Ministério da Economia, a importância de estarmos cumprindo o isolamento social.
 
É também inadmissível a incapacidade de nossos gestores justificar, por todos os servidores, as razões pelas quais estamos no isolamento. Mas as últimas portarias publicadas estão demonstrando essa incapacidade, não sei se é por medo, e espero que seja. Mas minha tese é que há uma razão simples. Mapear quem tem razão e quem não tem para ir trabalhar, pois eles precisam saber disso, por não suportarem saber que estamos em isolamento social sem trabalhar.
 
3 - Além do absurdo de ter que justificar, precisamos solicitar trabalho remoto. Todos nós precisamos pedir para trabalhar em casa via Sistema Eletrônico de Informação - SEI. Essa é a maior constatação de que os nossos gestores não valorizam nosso trabalho e apenas não suportam cada dia que passamos em casa, não suportam nos ver em casa "sem fazer nada" na cabeça dos mesmos, mesmo que vários estejam fazendo, mesmo que todos estejam em isolamento social para achatar a curva, para salvar vidas, para seguir o que o mundo todo está fazendo.
 
É preciso realmente pedir para trabalhar em casa? Quem pode trabalhar, quem tem pendências, está trabalhando e/ou vai resolver suas pendências sim! Quem tem artigo ou projeto de pesquisa e/ou extensão vai escrever e quem não tem, não vai e nem é pra, de um dia pro outro, se tornar pesquisador ou extensionista por pressão, por medo de perder seus salários. Que tipo de estímulo é esse que nossos gestores querem produzir? Por que não se valoriza mais o extensionista ou o pesquisador? É realmente assim que nossos gestores querem estimular outras atividades que não sejam relacionadas ao ensino?
 
Isso não é estímulo, é desestímulo aos que já fazem pesquisa e extensão de forma séria! Vocês vão perder os pesquisadores e extensionistas dessa instituição, por conta desta estupidez, dessa tara ou dessa esquizofrenia, em outras palavras, essa incapacidade de suportar que os servidores técnicos e docentes fiquem em casa. Vocês não parecem conhecer os servidores, se apegam em exceções para criticar técnicos e principalmente docentes.
 
Mas estou convencido de que o que acontece é que vocês não suportam que fiquemos em casa no isolamento social, chegam a se assemelhar aos que querem escravizar seus funcionários, mas fazem pior, afastam quem sempre batalhou pela instituição, quem não mediu esforços para fazer essa instituição crescer nos três aspectos indissociáveis pesquisa, ensino e extensão, ao qual esta instituição se propõe, pois não se sentem valorizados pelo seu trabalho muito menos estimulados a continuar a realizando um trabalho para além das atividades de ensino.
 
E ainda, não estimulam os que possuem potencial para pesquisa e extensão, que ficam, e com razão, em sua zona de conforto, pois não nos é dado o estímulo que precisamos, apenas a cobrança, a pressão para prestação de contas de nossa carga horária. Pressão essa que existe por uma razão, os nossos gestores não sabem guiar essa instituição, eles apenas fazem a gestão com um sentimento, o de não suportar que fiquemos em casa, mesmo que seja por um isolamento social que certamente vai salvar vidas.
 
Gostaria de ser convencido do contrário.
 
Atenciosamente,
Prof. George Frederick Tavares da Silva
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
IFCE - Campus Canindé, Rodovia BR 020, Km 303, s/n - Jubaia, Canindé - CE, 62700-000
e-mail institucional: george.frederick@ifce.edu.br
e-mail principal: frederick@fisica.ufc.br
e-mail alternativo: georgefrederick.tavares@gmail.com
Telefones (85) 3455-3012 / (85) 985339894”
Última atualização: 27/03/2020 às 12:18:25
 
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