Facebook Youtube RSS
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras

Notícias

  15/11/2018 

Em assembleia, servidores alertam que ponto eletrônico já está sendo implementado no IFCE, sem diálogo

O ponto eletrônico já está sendo implementado no IFCE, aos poucos, sem qualquer diálogo com a comunidade ou transparência de critérios, formatos e regras. O alerta foi feito pela Diretoria Colegiada do Sindicato dos Servidores do Instituto (SINDSIFCE) e confirmado por servidores e servidoras de vários campi do Instituto, em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira, 14/11, no Campus Fortaleza.

Além das falas de integrantes da Diretoria Colegiada do Sindicato, foram inúmeros e graves os depoimentos de trabalhadores e trabalhadoras, tendo em comum informações sobre a implementação da medida começando por campi do Interior, inclusive com equipamentos e softwares já providenciados em "projetos piloto" por setores como a Diretoria de Gestão de Tecnologia de Informação (DGTI) e a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep). Não mais uma ameaça, e sim uma realidade agora e já, sem diálogo da Reitoria com a comunidade.

De acordo com os relatos que chegaram ao Sindicato, muitos campi estão recebendo visitas da procuradora do IFCE, anunciadas de última hora, causando surpresa à comunidade acadêmica.

Sob pretexto de realizar uma palestra sobre "combate ao assédio moral e sexual no trabalho", a maior parte do tempo das visitas é dedicada a tratar sobre ponto eletrônico, não em tom de debate, mas de imposição, de apenas informar uma medida que já estaria decidida.

Em alguns campi o tom era de tentativa de intimidação até mesmo de gestores das unidades, mencionando a possibilidade de sofrerem represálias de órgãos de controle, caso não adotem de imediato o ponto eletrônico. A procuradora chega a perguntar se há algum advogado presente, se alguém "conhece o tema", antes de fazer sua defesa do ponto eletrônico de forma impositiva e sem qualquer debate ou clareza de critérios e metodologia.

De cima pra baixo, sem diálogo nem clareza

Para o SINDSIFCE, que tem percorrido os campi aonde a procuradora esteve, para promover debates e reforçar a luta dos servidores por clareza quanto a esse processo, é ainda mais grave que todas essas ações estejam acontecendo sem nenhum comunicado formal da Reitoria ou da Progep quanto ao tema. Um ambiente de total insegurança quanto aos direitos dos servidores, de falta de informação oficial e de transparência da administração do IFCE quanto a um tema de tamanha influência para a vida dos servidores e da comunidade acadêmica como um todo.

Diante da falta de diálogo, os servidores receiam que o real objetivo da medida seja controlar o horário de trabalho sem dar espaço para reposição de faltas por motivos como doença, afastamento para treinamento, licença para capacitação, afastamento parcial para pós-graduação. Nada!

A organização de horários dos docentes, concentrando a carga horária de aulas para garantir um melhor aproveitamento do tempo de planejamento, também seria inviabilizada caso o controle de ponto seja adotado sem levar em conta a realidade do IFCE, com 33 campi espalhados por várias regiões, muitos deles distantes das sedes dos municípios, com graves problemas de transporte que tornam praticamente impossível um controle cartesiano e fabril de horários sem qualquer critério que considere essa realidade.

A participação dos servidores em atividades sindicais também seria inviabilizada - justo no momento em que ela será ainda mais importante, diante das várias ameaças e ações já anunciadas pelo novo Governo Federal (veja mais detalhes na parte final desta matéria).

SINDSIFCE atento ao tema

Na Assembleia a Diretoria Colegiada do SINDSIFCE destacou o acompanhamento do tema pelo Sindicato, incluindo visitas aos campi para falas de contraponto às da procuradora, além de debates nas assembleias e publicação de informativos especiais sobre o tema. A assembleia também contou com a participação de representante da Assessoria Jurídica do Sindicato, que destacou que os servidores estão resguardados por atuarem em uma instituição que tem ensino, pesquisa e extensão e que presta atendimento ao público em todos os horários, atendendo aos critérios para a jornada de 30 horas semanais, outra antiga luta dos servidores, de reafirmação sempre necessária.

"Ponto eletrônico não aumenta produtividade. O que querem que nós nos tornemos máquinas que vão apenas trabalhar e não pensem. Essa é a ideia. Controlado o servidor de modo extremo e total, a ponto de ele fazer apenas tarefas burocráticas", destacou Cristiane Oliveira, integrante da Diretoria do Sindicato.

"Todos sabem da grande dificuldade de transporte pros servidores, da precariedade das estradas, dos poucos horários de ônibus. São motivos que fazem com que não tenhamos total certeza de conseguir chegar todo dia no nosso campus naquele horário. Imagine se houver um controle de ponto sem levar em conta nada disso", destacou.

"Por outro lado, o que é que vai nos resguardar pra nos afastarmos pra capacitação, diante de um ponto eletrônico? Não há opção de capacitação ou qualificação dos professores na grande maioria dos municípios onde ficam os campi. Os servidores vão ser impedidos de viajar pra se qualificarem, devido ao ponto eletrônico?", questionou.

Solicitação de reunião com a Reitoria

A Assembleia Geral deliberou por envio de ofício à Reitoria, solicitando imediata reunião sobre o tema ponto eletrônico e envio ao Sindicato de todas as informações oficiais sobre o estágio de implementação desse controle e sobre qual cronograma a Reitoria pretende seguir a partir de agora a respeito da medida.

Os trabalhadores cobrarão resposta urgente, sem aceitar mais demora para uma reunião que deveria ter acontecido há muito tempo e ter sido chamada pela própria Reitoria, diante de um tema tão complexo e importante.

Os servidores reforçaram disposição para lutar por transparência nesse processo e por respeito aos seus direitos, de modo a assegurar que não haja prejuízos para a comunidade acadêmica nem para a qualidade de ensino, pesquisa e extensão.

Análise de conjuntura: muitos desafios pela frente

Além da questão do ponto eletrônico, a Assembleia Geral foi marcada pela análise de conjuntura, sendo consenso que o IFCE e a educação pública como um todo viverão quatro anos de muitos e graves desafios. Inúmeras ameaças, como reforma da Previdência atingindo também servidores públicos, liberação ainda maior de terceirização no ensino público, tentativas de criminalização das atividades sindicais e de luta, manutenção do congelamento de recursos para educação por 20 anos, tentativa de transformar os IFs novamente em "escolas técnicas", quebra da equivalência da carreira dos servidores de IFs à dos trabalhadores de universidades federais, imposição da reforma do Ensino Médio inviabilizando o Ensino Integral integrado, fechamento dos campi de menor porte, estão no horizonte.

"O cenário é absolutamente nebuloso. Mas temos uma chance de nos mutiplicarmos e lutarmos, com todos os colegas. Abrir mais espaços de diálogo e participação", destacou David Montenegro, também integrante da Diretoria do Sindicato. "Temos um chamamento histórico, tão decisivo quanto foi nos anos do governo militar. Temos que fazer resistência! A gente vai fincar pé e dizer 'Aqui não'. Vamos ter que ter muita disposição e chamar os colegas, mas temos condições de construir essa força".

Última atualização: 16/11/2018 às 09:16:25
 
Versão para impressão Diminuir tamanho das letras Voltar Página inicial Aumentar tamanho das letras

Comente esta notícia

Nome
Nome é necessário.
E-mail
E-mail é necessário.E-mail inválido.
Comentário
Comentário é necessário.Máximo de 500 caracteres.
código captcha
Código necessário.

Comentários

Seja o primeiro a comentar.
Basta preencher o formulário acima.

FONES  (85)  3223-6370 / 99858-0145 FAX  (85)  3281-0209 sindsifce@hotmail.com
SINDSIFCE - Sindicato dos Servidores do IFCE
Rua Aratuba, Nº01-A, Benfica - Fortaleza - Ceará
CEP 60040-540  /  CNPJ 23.563.257/0001-57
desenvolvimento www.igenio.com.br